Dicas


Benefícios trazidos para a comunidade através do treinamento de cães para o Schutzhund

O homem, o cão, o schutzhund e a sociedade.
O que é SCHUTZHUND?
 
Espécie de triatlo canino, envolvendo Faro, Obediência e Proteção, na qual o cão só é aprovado se apresentar desempenho suficiente nas três seções.
 
Em alemão, (schutzen = proteger), uma espécie de anjo da guarda da família sobre quatro patas (ou em alemão Schutzengel = anjo da guarda), ou, melhor ainda, o cão da guarda da família (der Schutzhund, Hund = cão).
 
Qual a ligação do cão de esporte com a comunidade? Muita!
Os benefícios trazidos para a comunidade através do treinamento de cães para o Schutzhund são muitos, dentre eles destacamos:
 
 
a) Um cão para ter condição de participar de provas de cães de trabalho precisa de alguns atributos tais como, firmeza de nervos, sociabilidade, autoconfiança e controle, entre outros. Animais sem estas características são justamente os principais causadores de acidentes envolvendo cães, que assolam nossa sociedade nos dias de hoje. Portanto um cão titulado em Schutzhund tem todos os atributos de um cão seguro para a sociedade;
 
b) Em treino, os impulsos de caça e defesa do cão são canalizados na luva usada pelo figurante (auxiliar, que representa o oponente do cão), fazendo com que estes exercícios sejam muito seguros para seus praticantes. Ensina-se o cão a canalizar seus impulsos em um objetivo "neutro". Ou seja, a agressividade do cão pode ser usada e canalizada de forma segura para ele e para as pessoas. É como uma arte marcial;
 
 
 
c) Os treinos de proteção envolvem ainda uma disciplina rígida, onde são mostradas ao cão as situações onde é permitido morder e outras onde ele é obrigado a largar, voltando à calma. Em toda a rotina de treino, são apresentadas ao cão situações onde ele apenas reage à agressão e nunca toma a iniciativa. Ou seja, é sempre um protetor e nunca um atacante! Esta rotina de treino extremamente disciplinada condiciona o cão a apenas reagir às situações agressivas e sob comando de seu condutor. Ele nunca toma a iniciativa de uma agressão, nunca morde alguém parado ou que não luta. Isso tudo faz deste cão um animal capaz de proteger seu dono de forma extremamente controlada;
 
 
d) Em uma seção de treino de proteção, normalmente existem muitas pessoas dentro do campo de treinamento, tais como auxiliares e espectadores. Os cães são condicionados a focar apenas o agressor. É muito comum um cão realizar o trabalho de proteção contra o figurante com outras pessoas muito próximas da ação (a menos de meio metro), sem nenhum equipamento especial e mesmo assim com risco zero de acidentes. Esta capacidade de focalização do cão permite que o mesmo seja capaz de realizar a proteção necessária de seu condutor, sem riscos para as pessoas inocentes que eventualmente estejam próximas. Esta distinção que o animal faz do "bem" e do "mal" ou do que pode ou não pode, faz com que ele seja capaz, por exemplo, de terminar o serviço de proteção e no segundo seguinte sair brincando com uma criança;
 
 
e) Em outras fases do treino, como a de obediência e faro, o cão também tem contato muito estreito com outras pessoas e situações, variação de ambiente, estímulos sonoros, etc. É um excelente exercício de socialização, de modo que o cão lida com diferentes situações de forma muito natural, tornando-se um animal bastante sociável, convivendo bem com outras pessoas, onde quer que esteja.
 
Além dos benefícios elencados acima, existem ainda os benefícios psicológicos para as pessoas que treinam, advindos da interação com o animal, com a natureza e com a realidade da vida, coisas que estão tão em falta nos dias atuais.
A prática do Schutzhund desenvolve nas pessoas sentidos que são pouco usados normalmente, como uma sensibilidade muito aguçada, o que permite, após algum tempo, interações e reações instintivas com seu cão. É como se ela aprendesse uma nova linguagem, a expressão corporal de seu cão, e através deste "idioma" comum a ambos, homem e cão conseguem se comunicar. Isso é algo muito gratificante para o participante. 
É por isso que os praticantes deste esporte dizem que é preciso saber "ler o cão", pois é justamente o que é necessário para ser bem sucedido no esporte. 
Isso tudo, aliado à parceria e à cumplicidade que necessariamente têm que ser formadas entre o binômio Homem-Cão traz inegáveis benefícios que extrapolam em muito o campo de treinos e invadem a vida das pessoas.
Quanto à parte física, é um esporte que exercita tanto o homem quanto o cão, pois exige apenas um exercício moderado, o que faz com que possa ser praticado por pessoas de todas as idades. Os mais velhos, ao contrário da maioria dos esportes, têm a merecida vantagem da experiência adquirida e a eles deve ser dado o devido respeito.
O Schutzhund, apesar de muito pouco conhecido no Brasil, é praticado em quase todos os países do mundo. É um esporte que comprovadamente traz enormes benefícios para o homem, para o cão e para a sociedade. O homem passa a ter a segurança no controle sobre o cão em todas as circunstâncias. Ao animal é conferidos a segurança, o controle e a canalização de sua agressividade para objetivos nobres, que são, em última análise:
 
 
SERVIR AO HOMEM E À SOCIEDADE.

Cães de guarda que não guardam

Este não é o primeiro artigo a falar de cães de guarda. A primeira vez que abordamos este assunto queríamos chamar a atenção das pessoas que possuem, ou que gostariam de possuir um cão de guarda, para as suas responsabilidades e da importância de sociabilizar bastante o filhote e não deixá-lo trancado durante o dia todo, sem contato com as pessoas.
 
Desta vez vamos tentar responder as dúvidas de uma série de amantes caninos que compram seus filhotes e querem que eles se tornem um cão de guarda de imediato.
Mensagens como: "Eu tenho um rott de 4 meses mas ele é muito brincalhão, o que faço para ele ficar bravo?", ou
"Meu Pit Bull de 1 ano brinca com todo mundo e não avança em ninguém, será que ele não vai ser cão de guarda?", ou ainda
"Como fazer para um Pastor Alemão me proteger e atacar toda vez que eu mandar?", são bastante comuns e no meu ponto de vista, bastante preocupantes.
 
Pra começar é preciso definir aqui o que é que estamos falando sobre o trabalho de guarda.
 
Você pode estar querendo apenas um cachorro que dê alarme, latindo quando qualquer pessoa estranha chegar até o seu portão, ou se aproximar do seu carro, certo? Para isto basta você ter um pequeno cão Terrier, como por exemplo um Schnauzer, um Fox Terrier, um Terrier Brasileiro, ou até mesmo um Poodle. Estes pequenos dão conta do trabalho e muitos são capazes de dar uma bela mordida no braço de algum incauto que tente lhe entregar um destes folhetos chatos no sinal de trânsito. Um pouquinho de estímulo para o cachorrinho latir na hora certa e um cafuné quando o trabalho de espantar as pessoas indesejáveis for bem executado, e você terá o seu guarda de bolso pronto. Ah! Um aviso importante é treinar o bichinho para ficar quieto quando o dono mandar e também que ele não tenha dúvidas de que não é permitido morder as visitas que vêem a nossa casa, caso contrário, ao invés de ter um pequeno cão de alarme você vai é acabar tendo um cachorro que não para de latir e que vai deixar seus vizinhos loucos, e conseqüentemente vai deixar você louco também.
Mesmos os pequenos cães de alarme precisam de sociabilização e de treinamento de obediência para não deixar que seu espírito de pequeno cão de guarda se torne um grande problema de barulho e agressividade.
 
Uma outra possibilidade é a pessoa que quer um cachorro maior, com a aparência mais robusta e assustadora, mas que não deseja que o cachorro morda ninguém, apenas faça cara feia para quem passa na calçada. Neste caso você pode ter um Boxer, um Bernese, um Rottweiler, ou um Pastor Alemão que seja bem mansinho (sim, existem Rotts e Pastores mansos), um Bull Terrier que todo mundo pensa que é um Pit Bull e já morre de medo a priori. Neste caso é importante que o cão não seja estimulado a ter um comportamento mais agressivo. Mais uma vez a sociabilização e um bom treinamento de obediência básica farão muito bem ao peludo. É importante escolher com cuidado o filhote, e ter certeza de que o criador entendeu bem as suas expectativas sobre o peludo em particular, ou seja, que ele tenha uma cara feia, mas que seja manso e não tímido, ou medroso.
 
Agora nós vamos nos aprofundar um pouco mais sobre aqueles que desejam ter um "verdadeiro" cão de guarda. Daqueles que aparecem nos filmes, e nas ações policiais. Que é tranqüilo e seguro no dia-a-dia, mas que atacará ferozmente ao comando de seu dono. Não é isso que a maioria das pessoas gostaria de ter?
 
Mas este cachorro existe? É só comprar um cachorrão, um Fila, por exemplo, para ele ser o nosso fiel escudeiro? Com apenas 6 meses de idade ele já será um cão de guarda?
A primeira coisa a saber para quem quer um cão de guarda é (a pergunta parece idiota, mas você nem tem idéia de quantas pessoas não se preocupam com isso!):
 
A raça escolhida é naturalmente um cão de guarda?
Se a resposta for SIM, significa que já estamos no caminho certo e que provavelmente o instinto natural de guarda do bichinho irá trabalhar a nosso favor.
 
Se a resposta for NÃO, é melhor deixar pra lá à vontade de ter um cão de guarda até você ter condições de comprar um novo cão, desta vez de uma raça adequada.
 
Veja bem, não estou dizendo que não é possível treinar um Labrador para atacar as pessoas. Possível é, mas esta raça não foi escolhida, desenvolvida, e criada para este trabalho e portanto o resultado não será exatamente o ideal. Muito provavelmente o Labrador treinado para guarda irá se tornar um cachorro instável, difícil de controlar e agressivo com qualquer pessoa.
 
Por outro lado se você escolhe um Rottweiler para fazer o trabalho de guarda (tomando-se todas as outras precauções necessárias que vamos citar mais adiante), irá perceber rapidamente como o treinamento flui com facilidade, e que o Rott bem treinado é um cachorro tranqüilo e pouco reativo (não late a toa, não fica avançando nas pessoas sem motivo) e, apesar de ser reservado com estranhos, ele não é agressivo e é muito carinhoso com pessoas da família e conhecidos. Normalmente as raças que fazem, ou já fizeram pastoreio e guarda de rebanho no passado, são excelentes cães de guarda.
Como exemplo de raças que fazem naturalmente a guarda de seus donos e de sua propriedade temos o Rottweiler (antigo boiadeiro), o Pastor Alemão, o Boiadeiro de Flandres, Akita, Pastor Belga, o Boxer (embora muitos cães desta raça hoje em dia estejam sendo selecionados apenas como companheiros), Doberman, Fila Brasileiro, Mastife Inglês, Mastim Napolitano. Vale reforçar que estamos falando aqui de instintos naturais para guarda e proteção, ou seja, se o cão estiver dentro do padrão correto de temperamento da raça, ele será instintivamente mais atento a movimentos estranhos perto de seu dono ou de seu território. Isso não quer dizer que o bichão irá se tornar sozinho um super guardião.
 
Não são raças de guarda: o Labrador; Golden Retriever, Husky Siberiano; PitBull (sim, o Pit Bull e o Bull Terrier não são cães de guarda, eles são cães de rinha, de briga com outros animais, mas não deveriam ser agressivos com humanos, apesar de serem territoriais), Dálmata, Weimaraner, Chow-Chow, Shar-Pei. Nestes casos o treinamento, ou mesmo o incentivo para que estes cães se tornem cães de guarda, podem acabar em desastre. Estas raças, quando incitadas para atacar pessoas, podem facilmente sair fora do controle de seus donos, e podem se tornar cães de difícil convívio.
 
Provavelmente alguns de vocês devem estar pensando: "Mas eu conheci um cocker spaniel que era um excelente cão de guarda e ele até atacou um ladrão que entrou na casa da prima da avó da amiga da minha tia!!!" Ou coisa parecida.
 
O que eu quero chamar atenção aqui é que não estamos pensando num caso do acaso. Estamos falando de treinamento sério, de cão que ataca um outro ser vivo sob o comando de seu "Mestre". Estamos buscando a genética correta que nos dará a melhor chance de encontrar um animal/indivíduo para desenvolver um trabalho importante e preciso. Por que não usar centenas de anos de aprimoramento de uma raça a nosso favor? Porque é isso que um bom criador pode nos oferecer. Uma raça bem desenvolvida, com linhagens conhecidas e reconhecidas por passar não só um padrão exemplar de conformação (trocando em miúdos um cachorro muito do bonitão e próximo da perfeição quanto a sua aparência) como também um padrão exemplar de temperamento.
 
Você sabia que existem linhagens selecionadas justamente pela sua capacidade de trabalho? No caso de Pastores Alemães e Rottweilers, por exemplo, existem clubes de criadores que fazem um trabalho notável de aprimoramento do temperamento destes bichões, e inclusive promovem competições de prova de trabalho, onde as aptidões do cachorro em obediência, faro e guarda são testadas. 
 
Existem verdadeiros clãs de cães campeões nestas provas. Uma beleza!
 
Mas vamos falar um pouquinho sobre o que é preciso estar atento para se ter um bom cão de guarda.
Vamos supor que você já tenha escolhido uma raça adequada para o trabalho, certo? O que precisamos saber agora?
Você também já conversou bastante com um criador dedicado, que lhe orientou muito bem sobre as necessidades específicas da raça, como alimentação, treinamento, exercícios, etc. Você também já está disposto a pagar o preço justo por um filhote tão bem selecionado, cujos pais estão livres de displasia E POSSUEM O LAUDO VETERINÁRIO ATESTANDO ISSO (pelo amor de Deus não caia na velha conversa de: "Eu não preciso do laudo, pois crio há 200 anos e os meus cachorros nunca tiveram nada!"), e também já tiveram seu temperamento testado, tendo inclusive você mesmo constatado que os pais são bastante equilibrados na presença do criador quando você foi ver o filhote, certo? Você já está sabendo que é muito importante deixar o filhote na companhia das mães e dos irmãos até ele completar pelo menos 50 dias .
 
Então o próximo passo é: O SEU filhote tem o temperamento correto? Se o seu filhote é muito medroso, ou até mesmo tímido, é melhor deixar o trabalho de guarda para outro cão.
 
Existem dois fatores principais para um filhote ter um temperamento tímido, medroso, ou arredio. Um é a genética do filhote, e quanto a isso não há nada o que se fazer. Por mais que trabalhemos para tornar calmo e equilibrado um filhote que é tímido ou medroso, ele nunca será inteiramente confiável. 
 
Exercícios de dessensibilização, exposição controlada, sociabilização intensa, e treinamento de obediência irão ajudar este filhote a conviver de forma mais harmoniosa com o mundo que o cerca e ele pode até se comportar muito bem no dia-a-dia, mas em uma situação de pressão extrema como é a guarda de uma residência ou de uma pessoa, durante um ataque real, a coisa pode ficar preta e aí não dá para contar com um cachorro que não tem a genética para isso.
 
Acompanhe atentamente o comportamento do seu filhote quando é exposto a novas situações. Se você estiver em dúvida procure um profissional bem qualificado e peça a opinião dele. Respeite esta opinião se ele lhe disser que o seu filhote não tem o temperamento correto para o trabalho de guarda.
 
Alguns testes de temperamento podem ser feitos quando o bichinho tem apenas 49 dias de vida (na verdade esta é a época ideal para avaliar a tendência genética de comportamento de um filhote, já que ele ainda não recebeu influências significativas do meio ambiente em que ele vive). Embora o teste de Volhard (o mais conhecido e mais bem aceito entre treinadores e comportamentalistas) seja de fácil aplicação, é preciso ter muito cuidado para fazer uma avaliação correta dos resultados. Na verdade uma boa avaliação do filhote pode ser bem mais complexa do que muitas pessoas pensam. Outros testes podem ser aplicados ao longo da vida do filhote, mas quanto mais tempo passa mais cuidado precisamos ter na hora da avaliação de peludinho, pois além do temperamento nato, ele já terá aprendido muita coisa por conviver com o dono e sua família e as experiências positivas ou negativas contam.
 
Se a genética é um dos fatores que determinam se o seu filhote é medroso ou tímido, o outro fator é justamente o meio ambiente e as experiências que o filhote vivência. Você já está sabendo que existem pelo menos dois períodos críticos na vida do filhote onde ele pode ser facilmente assustado e traumatizado, não é? O primeiro ocorre por volta da 7a até a 11a semana de vida, e o segundo por volta dos 8 meses de vida. Lembrando que estas fases não são "marcadas" no calendário. Elas variam de filhote para filhote, bem como a sua intensidade.
 
Se o profissional qualificado para avaliar o seu filhote suspeita que o problema de medo não é genético e sim de trauma é preciso determinar se o processo pode ou não ser revertido.
Se o seu filhote passou a apresentar um comportamento assustado há pouco tempo e que não coincide com o período do medo, é bem provável que ele irá superar esta fase rapidamente, principalmente se forem aplicados exercícios de dessensibilização, aliados a jogos e treinamento que reforcem a autoconfiança do peludo. Se tudo correr bem, peça para o seu treinador reavaliar o seu bichão alguns meses mais tarde para ter certeza de que está tudo ok mesmo.
 
Se o seu peludo já apresenta um comportamento arredio e medroso há mais de 2 meses e não parece estar melhorando nada com os jogos e com os exercícios de obediência básica, é muito provável que ele tenha sido traumatizado no período do medo, e dificilmente ele irá se recuperar totalmente. Neste caso o melhor é fazer o mesmo que recomendamos com o filhote que tem problemas genéticos, ou seja, ame-o muito, mas não coloque o cachorro para defender você e sua família.
 
Além do problema de medo e timidez, existem dois outros bastante comuns e preocupantes para os donos que querem um cão de guarda. O primeiro, e que parece ser o que mais preocupa os donos, por incrível que pareça, é o filhote ser "muito manso".
 
Se o seu filhote parece muito manso para o trabalho, procure levar em consideração primeiro os seguintes pontos: Seu filhote não tem obrigação de entender o que você espera dele. Ele não precisa ser uma fera para ser um bom cão de guarda. Além disso a maioria das pessoas que perguntam sobre a "mansidão" do filhotinho, fala que ele tem apenas 4 meses de idade. Às vezes 1 ano. Ainda assim é muito cedo para a maioria das raças de grande porte estar amadurecida e demonstrar realmente o seu potencial como guardião. Eu não espero que um filhote demonstre preocupações extremas com estranhos antes deles completarem 1 ano e meio, talvez 2 anos de idade. É nesta idade que a maioria dos cães de raças grandes começam a sair da adolescência e passam a se tornar mais "sérios", mais reservados com estranhos. Existem filhotes que são "bravinhos" muito antes disso? Existem, e nós ainda vamos abordar este aspecto.
 
O melhor mesmo, enquanto o tempo não passa, é investir em sociabilização e muiiiiiiiiiito treinamento de obediência, básica e avançada. Além de você precisar destes dois requisitos lá na frente, você vai ter muito mais intimidade e conhecimento das reações do seu peludo, e um bom treinador irá lhe orientar sobre as potencialidades do bichão, e como você pode brincar para ir estimulando o equilíbrio do temperamento dele, a curiosidade e o instinto natural perseguir coisas.
 
Uma brincadeira normalmente proibida, mas que pode ser muito útil no caso de quem quer um cão de guarda, é o cabo-de-guerra. Se você tem um cão "muito manso" brinque de cabo de guerra com ele. Às vezes deixando que ele leve o brinquedo, às vezes você ficando com ele. Brinque também de esconde-esconde. Ensine o seu cão a ficar atento a sons e cheiros, e ir procurar a pessoa escondida quando você mandar. Deixe o filhote brincar de perseguir um paninho amarrado numa cordinha e arrastado por você pelo chão.
 
Se alguém desconhecido ficar muito perto do seu portão, e o seu filhote começar a latir, não o repreenda imediatamente. Deixe-o latir um pouquinho, depois vá até ele, faça um carinho discreto e chame-o para junto de você. Deixe o filhote saber que você gosta de um pouquinho de ação e que latidos para estranhos são apreciados. Só não esqueça de também ensiná-lo a calar a boca quando você manda.
 
Bom, mas existem aqueles cachorros que já estão com 2 anos ou mais de idade e nem assim apresentam nenhuma das características desejadas num cão de guarda. O bichão continua adorando todo mundo, estranho ou não, só quer saber de boa comida e boa cama, e nem com todo estímulo do mundo ele parece ligar se tem alguém tentando entrar no território dele. Neste caso eu vou recomendar mais uma vez que o seu peludo seja avaliado por um profissional experiente e gabaritado. Se o conselho for deixar o peludo ser só um cão de família, e deixar o trabalho de guarda para outro cão, que assim seja. Na verdade você pode pensar em pegar um outro cachorro, um terrier por exemplo, e deixar que o pequeno seja o barulhento e ativo no patrulhamento do território, enquanto que o grandão fica com o papel só de fazer cara feia e impressionar um possível invasor. Treinar para guarda um cachorro que não tem temperamento para perseguir um bandido (o que nós treinadores chamamos de "Drive") ou para tomar conta do seu território, pode ser impossível, ou pode também dar a maior cáca!
 
O outro problema de falha no temperamento (e este me preocupa muito mais) é o filhote ser muito agressivo. Aí a coisa pega, pois ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, um cachorro bravo e com comportamento agressivo desde muito cedo, dificilmente será um bom cão de guarda, principalmente na mão de um dono mediano. A agressividade está na sua grande maioria das vezes relacionada com um alto grau de dominância do peludo.
 
Cachorros dominantes não costumam aceitar com facilidade a liderança de um ser humano que não tenha experiência para lidar com um bichão tão assertivo. Muito menos de um dono, ou de uma família meio mole. Do tipo que acha tudo coitadinho, que o filhotinho não é agressivo, ele só não gosta de ser contrariado, ou de dono/membro da família que não tem tempo para se dedicar ao treinamento da ferinha, não tem disciplina e não saber impor limites, e pior, tem medo de cachorro grande, que pode morder.
 
Neste caso, mais do que nunca o cachorro vai precisar de muita socialização e de treinamento. A ajuda de um profissional é imperativa para determinar se este cachorro pode ou não ser treinado e incentivado para ser um cão de guarda. Muito cachorro "trombadinha" até se beneficia do treinamento de guarda, pois aprende a direcionar a sua vontade de morder tudo que passa por perto, e principalmente aprende a ter controle desta vontade. Aprende que tem hora pra tudo, até para "brincar" de morder. Mas está não é a solução para todos os casos de cães agressivos, e muito menos para qualquer dono de cão agressivo.
 
Aliás este é o caso de muitos dos cães e filhos de cães campeões em prova de trabalho (lembra que a gente já falou isso lá em cima?). Um filhote deste tipo de linhagem, se bem conduzido, não se torna agressivo, mas tem um temperamento bastante "esquentado". Nas mãos erradas, o sonho de ter um cachorro FILHO DE CAMPEÃO CT3, e mais tudo o que tem direito de título, pode acabar num cachorro intimidador, indisciplinado, e perigoso para quem resolver ficar no caminho dele. Acha que é fácil tirar um quilo de filé mingnon roubado da cozinha, no dia em que a sogrona veio para o almoço, da boca de um cachorro que tem 45 quilos e que mostra até o terceiro molar quando alguém chega perto do filé DELE? Porque se você não consegue fazer isso, você acha que vai conseguir fazer este mesmo cachorro parar, no grito, um movimento de "ataque", no meio de uma ação, que é na verdade um grande engano????
 
Cão de trabalho não é pra qualquer um!!!!!
 
Ok, vamos continuar no nosso mundo de suposições e você agora já sabe que tem um cachorro com o temperamento muito legal. O cão não é agitado demais, nem paradão demais. Não é "galinhão" de ficar falando com todo mundo que não conhece, mas também não fica mostrando os dentes como se todo ser humano fosse dentista canino. Não é medroso, é curioso, não late à toa, tem um certo "q" de reservado. Tem a saúde perfeita. Uma maravilha, certo?
 
Então vamos repassar quais são as etapas importantes para que você consiga ter o tão sonhado cão de guarda:
• sociabilizar o filhote, observando as idades mais importantes no desenvolvimento emocional do bichão;
 
• promover o contato dele com vários tipos de pessoas, lugares, sons, tipos de solo, até ele completar pelo menos 1 ano de idade;
 
• estimular a curiosidade do bichão, incentivando-o a chegar perto de coisas novas;
 
• não estimular agressividade no filhote;
 
• brincar jogos que contribuam para o aumento da autoconfiança do filhote e o uso de seus instintos naturais de capturar presas (p.ex. esconde-esconde, cabo-de-guerra, perseguir um paninho), mas sempre com total controle da brincadeira, inclusive com o comando "Larga" ou "Chega";
 
• treinar com seriedade todos os comandos de obediência, nos níveis básico, intermediário e avançado, envolvendo toda a sua família neste processo. (Nunca é demais lembrar que quanto antes se começa o treinamento do filhote, mais fácil é para vocês dois aprenderem). Uma outra boa dica se você tiver um pouco mais de tempo é treinar seu bichão para "brincar" de agility. Não precisa praticar este esporte de forma competitiva, mas superar os obstáculos e a sua participação na condução do peludão irão ajuda-los a se entenderem ainda mais, estimulando imensamente o autocontrole e a autoconfiança do cão;
 
Se até aqui foi tudo bem e o seu filhote já tem perto de 1 ano e meio de idade, então é hora de procurar um profissional muito bem recomendado para ter certeza de que seu filhotão está pronto para começar a brincar de mocinho e bandido.
 
• Peça referências de outras pessoas que já trabalharam com este treinador e não tenha vergonha de checar as impressões dos antigos clientes. Você não vai querer parar o treinamento no meio porque o treinador não aparece mais, ou ficar com um cachorro "engatilhado", mas meio fora de controle porque o treinador não sabia exatamente como resolver um problema especifico do seu cão. Também por causa disso é bom ter uma idéia de quanto irá custar todo o treinamento (prepare cuidadosamente o seu orçamento), e quais serão as etapas e metas a serem cumpridas.
 
Nunca pense em treinar comandos de ataque/defesa em casa, com seus familiares, e sem o acompanhamento de um profissional (pode parecer loucura, mas eu conheci um cara que mandava o filho correr e soltava o cachorro para perseguir o menino!!!!). Também não incentive o seu cachorro a perseguir gatos de rua, puxar briga com outros cães, ou ficar rosnando para pessoas estranhas que não estão ameaçando você ou ao seu cão.
 
• Prepare-se para manter o peludão treinado pro resto da vida, praticando sempre os comandos de obediência e pedindo uma avaliação do seu treinador pelo menos a cada 6 meses.
É muito importante que nós entendamos que é preciso ser muito responsável quando se tem um cão. Muito mais ainda se este cão é de grande porte, e infinitamente mais responsável se optamos treinar o nosso bichão para fazer guarda.
 
É sua responsabilidade manter o cão em um local seguro para ele e para as outras pessoas. Muros altos o suficiente para que o seu cão não possa pular para fora, grades pela qual uma criança pequena não será capaz de colocar a mão, placas que avisam que existe um cão treinado para guarda dentro da casa (não adianta ter só uma plaquinha escondida, principalmente se o seu terreno é grande). Manter o seu cão sempre sob controle e não deixá-lo sem supervisão perto de pessoas que estão temporariamente na sua casa (entregadores, pessoal de conserto, vistas), são responsabilidades das quais não podemos esquecer um só minuto.
Também esteja muito atento para ensinar o seu cão a não sair da sua propriedade, de forma alguma, sem a sua autorização, mesmo o portão estando totalmente aberto. Aliás este é um fato notório: É supercomum receber pedidos de donos que estão preocupados com o treinamento antiveneno de seus cães, mas quase nenhum deles está preocupado em ensinar o cachorro à não sair pelo portão da garagem, ou pela porta da casa sem autorização! Será que a segurança do dono e a do seu cachorro está acima da segurança das pessoas que estão passando pela rua?
Digo ainda mais, tão importante quanto ser responsável com a nossa família, com o nosso cão e com as pessoas que nos cercam, é sermos responsáveis com a RAÇA de nossos cães.
 
. Ter um Rottweiler me faz ser parte de todo um projeto para não deixar que as pessoas taxem nossos animais como bestas-feras-perigosas. 
 
Bom, é isso. Espero ter conseguido colocar todas as questões importantes para as pessoas que têm um filhotinho que será um possível cão de guarda. Tenham calma e planejem com cuidado e atenção todo a caminho a ser trilhado por vocês.
Abraço

Como prevenir acidentes com cães

Com a crescente onda de violência que assola nosso país, muitas pessoas compram cães para se protegerem. O manuseio errado destes animais pode torná-los perigoso, não só para a comunidade, como também para os próprios donos.
 
A Mídia noticia freqüentemente casos de acidentes envolvendo cães que atacam e ferem pessoas gravemente, às vezes com conseqüências fatais. Muitas vezes estes ataques acontecem dentro da própria casa e são vítimas as pessoas que moram com o animal. Crianças e idosos são as vítimas mais freqüentes.
 
 
Causas.
Estes acidentes estão geralmente relacionados ao mau manuseio do animal pelo proprietário e/ou adestrador e em alguns casos, à imprudência da vítima. 
Cabe ao proprietário ter a posse responsável do cão, socializando-o e adestrando-o de forma correta e responsável, procurando sempre pessoas idôneas e de boa capacidade técnica para tal.(verifique sempre se a pessoa tem formação profissional, peça para ver os certificados, se tem a quanto tempo fez cursos de reciclagem, peça referencias, peça para ver um cão adestrado) 
A escolha do filhote também é muito importante. Deve-se sempre solicitar a orientação de uma pessoa com experiência e conhecimento suficiente para fazer a seleção.
 
Qual raça comprar?
Deve-se primeiramente definir antes de tudo, qual raça é a mais ideal para a função que se deseja. Devemos nos basear principalmente nos instintos de cada raça, ou seja, qual sua função de origem. Espera-se de quem compra um Rottweiler que ele esteja querendo um cão de guarda e não apenas um cão de companhia,porque se assim fosse deveria comprar um Labrador,não que um Rottweiler não possa ser companheiro e carinhoso com os donos,pois ele é e muito, mas esperar que sempre tome atitudes de um Labrador e nunca de um cão de guarda é querer demais.
 
Socialização e adestramento.
Desde filhote o cão deve ter contato, dentro do possível, com outros cães, pessoas, ambiente externo à sua casa, enfim contato com o ambiente humano, de forma que os acontecimentos do cotidiano passem a ser naturais para ele. 
Todo o cão comprado para a guarda, seja pessoal ou de território, deve ser adestrado para obediência e, somente quando seu temperamento assim o permitir, ser treinado para fazer serviço de proteção. Ou seja, nem todos indivíduos de uma determinada raça usada como "cães de guarda" servem para este fim. Quando se treina um cão sem o temperamento adequando para fazer serviço de proteção entra-se em um terreno muito perigoso onde o risco de acidente é constante. Pois o mesmo cão que defenderá um quintal poderá não servir para defesa pessoal, e vise e versa.
 
Hierarquia na família.
Uma vez adquirido o cão que conviverá com a família, deve-se desde o início estabelecer claramente as distinções hierárquicas. Os membros da família devem estar acima do cão na escala hierárquica, tomando especial cuidado com relação às crianças. As crianças adoram brincar com os filhotes, porém suas brincadeiras muitas vezes incomodam um filhote que quer um pouco de sossego, pois puxões de rabo, orelhas, cutucões acabam fazendo que ele apresente algum tipo de rosnado para avisar que não esta gostando, a criança ou até mesmos os adultos que não tenham muita pratica com cães se assustam ,com isto retiram as mãos e se afastam imediatamente mostrando ao filhote que basta um rosnado para que consiga que se afastem e o deixem quieto. Em uma segunda oportunidade na qual se demore mais para recuar o filhote acaba dando uma pequena mordida para conseguir sossego. Pronto o cão começou a dominar as crianças e logo também tentara fazer o mesmo com os adultos. Nunca deixe um filhote, seja ele de que raça for, rosnar mostrando os dentes para você ou seus filhos o corrija imediatamente. Supervisione as brincadeiras das crianças com o filhote não permita abusos.Ensine-as a brincar dominando e mostrando que são elas que sempre mandam nas brincadeiras. Se você tem duvidas de como fazer procure ajuda de um profissional. Detalhe mesmo que o filhote seja considerado submisso poderá apresentar as situações citadas acima, porem se for dominante, o cuidado terá que ser redobrado.
 
Alguns sinais típicos der dominância são, por exemplo: o cão, durante brincadeiras, querer se posicionar sobre a criança, adotando uma postura de dominância; rosnar impedindo-a de transitar ou acessar determinados locais; urinar em cima delas; etc. Nestes casos, o cão deve ser imediatamente corrigido, de preferência pela própria criança (caso de filhotes ou cães jovens), mostrando a ele seu lugar na hierarquia familiar. Uma outra pessoa pode tomar esta atitude de repreensão, mas não será tão eficaz, pois o cão não apreende que a criança é hierarquicamente superior e pode repetir o comportamento quando estiver sozinho com ela. No caso de cães adultos demonstrando este comportamento de dominância, aconselha-se evitar o contado com crianças, pois o risco de acidente é potencialmente muito alto. De qualquer forma, o mais aconselhável é nunca deixar crianças sozinhas com cães, sem a supervisão de um adulto.
 
Como agir em situações de perigo. 
 
Em muitas situações os acidentes com cães poderiam ser evitados, bastando ter em mente o que fazer. 
Alguns conselhos úteis.
Não tome liberdades com cães estranhos, mesmo com o consentimento do condutor. 
Ensine as crianças a fazerem o mesmo.
Se um cão estranho e potencialmente perigoso vier cheirar você, fique calmo e não se mova. Ele possivelmente se afastará. 
Se um cão vier em sua direção com atitude ameaçadora não fuja, a não ser que tenha certeza que atingirá um lugar seguro antes de ser alcançado pelo cão. Fique calmo e dentro do possível não demonstre medo, não grite e evite diretamente nos olhos do cão. Na maioria das vezes o cão mudará de atitude e irá embora. 
Caso o pior aconteça e você seja mordido, procure não mexer o membro atingido, pois isto estimulará o cão. Se você cair no chão, fique em posição fetal, protegendo sua face e nuca com as mãos, fique totalmente imóvel até que o cão se afaste para uma distância segura, só ai levante ou chame por socorro.
 
Elder R. Posselt
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